Os nódulos de tireoide são altamente comuns na população em geral. Na maioria das vezes, esses nódulos são benignos, não geram sintomas, não necessitam de investigação e menos ainda de algum tratamento específico, como cirurgia.
Ao mesmo tempo, é cada vez mais frequente as pessoas descobrirem que têm nódulos na tireoide, ao realizar um ultrassom em exames de check-up. Muitas vezes, são pessoas sem nenhum sintoma relacionado ao nódulo e não é possível sentir o nódulo durante o exame físico na consulta médica. Nesses casos, o ultrassom acaba sendo a principal ferramenta utilizada na avaliação do nódulo.
E o ultrassom é o melhor exame para uma avaliação inicial e para o acompanhamento de nódulos de tireoide mesmo! É um exame não invasivo, seguro, rápido, simples de ser feito, que não emite radiações e tem baixo custo quando comparado aos exames de maior complexidade.
No caso da avaliação da tireoide, ele possibilita a avaliação de características como:
- as dimensões da glândula;
- a vascularização de sangue na glândula;
- para cada nódulo, ele pode descrever o tamanho, a composição (se é sólido, líquido ou os dois), a ecogenicidade (é a tonalidade que o nódulo aparece nas imagens), o formato do nódulo, o aspecto das bordas, a presença de calcificações grandes ou pequenas, a distância entre o nódulo e a cápsula da tireoide (a parte mais externa do órgão), sinais de invasão da cápsula pelo nódulo, a vascularização de sangue nele;
- a classificação de TIRADS, que é definida por meio de um sistema de pontuação baseado nas características de cada nódulo (geralmente características de maior risco pontuam mais) e que pode variar de 1 até 5.
A pessoa que faz o ultrassom, que geralmente é especialista em Radiologia, avalia essas características durante o exame, registra em imagens e depois descreve no laudo os achados identificados. Com o laudo e as imagens em mãos, é possível avaliar os nódulos, detectar possíveis características de maior suspeita ou risco para o nódulo ser um câncer de tireoide e definir a necessidade de uma investigação mais detalhada do mesmo, geralmente com a punção do nódulo.
Por isso, sempre reforço para meus pacientes a importância de um ultrassom de qualidade para a avaliação de nódulos de tireoide e para a tomada de decisão quanto à necessidade ou não de investigação mais aprofundada. É crucial termos informações objetivas, completas e detalhadas, acompanhadas das imagens registradas durante o exame, pois, assim, é possível tomar decisões embasadas e que não tragam procedimentos desnecessários à pessoa, os quais, por vezes, podem ser mais invasivos e desconfortáveis.
Muitas vezes, avalio exames realizados por profissionais que não conheço, mas existem formas de identificar se o exame foi bem realizado. A primeira coisa é perguntar ao paciente qual foi a impressão que ele teve da pessoa que realizou seu exame, se fez perguntas antes para entender o motivo do exame, se foi bem atendido ou se teve a impressão de que foi feito às pressas.
Outro ponto é avaliar o laudo e a qualidade das informações ali descritas – se estão completas, especialmente nos detalhes da descrição do nódulo, e se não existem dados conflitantes. Geralmente, os bons especialistas em ultrassom de tireoide também acrescentam suas impressões frente aos achados do exame, quanto à suspeita de ser um nódulo maligno ou não, no final do laudo.
Além disso, com as imagens do exame em mãos, é possível avaliar e comparar se o que foi descrito no laudo está correlacionado com as imagens ou se existe algum detalhe que não fez sentido. Por isso, é importante fornecer as fotos do exame para avaliação médica.
É muito comum o médico pedir para o paciente repetir o ultrassom para que seja feita uma melhor avaliação dos nódulos de tireoide. Se, avaliando esses pontos, o médico suspeitar que as informações não são de qualidade ou suficientes para embasar a tomada de decisão quanto aos próximos passos no seu caso e pedir um novo exame, lembre-se que é pelo seu bem! É um exame não invasivo, fácil de ser feito e é um cuidado a mais antes de indicar a investigação do nódulo com punção ou até mesmo uma cirurgia que pode não ser necessária.


