Nem todo câncer de tireoide é igual. Existem diferentes tipos, com comportamentos, tratamentos e prognósticos distintos. Entender essas diferenças é essencial para tomar decisões com mais segurança e clareza.
O que é o câncer de tireoide?
A tireoide é uma glândula endócrina em formato de borboleta, localizada na parte anterior do pescoço. Ela produz hormônios que regulam funções essenciais, como o metabolismo, o peso corporal e o ritmo cardíaco.
O câncer de tireoide acontece quando as células da glândula começam a crescer de forma desordenada, formando um tumor. Ele é o tipo mais comum entre os cânceres do sistema endócrino e ocupa a sétima posição entre os mais frequentes no Brasil, segundo o Instituto Nacional de Câncer (INCA).
Em muitos casos, o diagnóstico é feito após a descoberta de um nódulo — geralmente em exames de rotina ou ultrassonografias solicitadas por outros motivos.
A boa notícia é que a maioria dos tumores da tireoide são de baixo grau e têm excelente prognóstico. Entre eles, os carcinomas papilífero e folicular são os mais comuns — ambos pertencem ao grupo dos carcinomas diferenciados, que representam mais de 90% dos casos.
Tipos de câncer de tireoide
Carcinomas são cânceres que têm origem nos tecidos epiteliais – que é aquele que reveste a pele e a maior parte dos órgãos. Eles são classificados dependendo da origem celular do tumor.
A maior parte dos cânceres tem origem em células foliculares e são classificados de três maneiras:
- Bem diferenciados: carcinoma papilífero (50% a 80% dos casos) e carcinoma folicular (15% a 20% dos casos);
- Pouco diferenciados: cerca de 10% dos casos;
- Indiferenciados (carcinoma anaplásico): também cerca de 10% dos casos.
Câncer papilífero da tireoide: o tipo mais frequente e com ótimo prognóstico
O carcinoma papilífero é o tipo mais comum de câncer de tireoide, representando cerca de 80% dos diagnósticos.
Suas principais características são:
- Geralmente acomete pessoas entre 30 e 50 anos, com maior prevalência em mulheres;
- Pode surgir em uma ou nas duas partes da glândula;
- Frequentemente é detectado ainda em estágios iniciais;
- O tratamento costuma envolver cirurgia (tireoidectomia parcial – em casos de tumores pequenos e localizados – ou total), e, em alguns casos, iodoterapia;
- As taxas de cura ultrapassam 95% dos casos.
O principal sintoma desse câncer é o aparecimento de nódulos na tireoide (os famosos carocinhos no pescoço perceptíveis ao toque).
A partir do aparecimento do nódulo, o médico solicita um ultrassom e, caso o nódulo apresente características suspeitas, é indicada a PAAF (Punção Aspirativa por Agulha Fina) — exame que permite identificar se o nódulo é benigno ou maligno.
O câncer papilífero costuma crescer lentamente e, mesmo quando se espalha para os linfonodos do pescoço, mantém um comportamento previsível e uma resposta muito boa ao tratamento.
Em alguns casos, por causa do crescimento lento, é possível adotar uma vigilância ativa, com acompanhamento médico e ultrassons periódicos, adiando a necessidade de cirurgia imediata.
Câncer folicular da tireoide: quando as células atravessam a barreira da glândula
O carcinoma folicular é o segundo tipo mais comum, representando cerca de 10 a 15% dos casos.
Ele surge das células foliculares da tireoide (as mesmas que produzem os hormônios tireoidianos) e pode se espalhar pela corrente sanguínea, atingindo ossos ou pulmões em casos mais avançados.
As principais características do câncer folicular são:
- É mais comum em pessoas acima dos 40 anos;
- Ocorre com maior frequência em áreas com deficiência de iodo;
- O diagnóstico é feito após análise microscópica, já que a punção aspirativa (PAAF) nem sempre consegue diferenciá-lo de um adenoma benigno;
- O tratamento geralmente envolve a retirada total da tireoide e, em muitos casos, a iodoterapia;
- Quando identificado precocemente, também apresenta altas taxas de cura.
O que diferencia o câncer papilífero do câncer folicular?
Embora ambos sejam carcinomas bem diferenciados da tireoide, o que significa que ainda preservam características das células normais, há diferenças importantes entre eles:
- Forma de disseminação: o papilífero se espalha pelos linfonodos, enquanto o folicular tende a se espalhar pela corrente sanguínea;
- Conduta cirúrgica: o papilífero pode permitir cirurgia parcial em alguns casos; o folicular geralmente exige retirada total da glândula;
- Perfil etário: o papilífero é mais comum em adultos jovens, e o folicular, em pacientes mais velhos.
Essas diferenças tornam essencial o acompanhamento com um cirurgião de cabeça e pescoço, que poderá definir o plano de tratamento mais adequado — incluindo cirurgia, iodoterapia e acompanhamento com exames de imagem e dosagem de tireoglobulina.
Conclusão: informação e acompanhamento são parte do tratamento
Os carcinomas papilífero e folicular são, na grande maioria das vezes, tratáveis e curáveis.
Descobrir um câncer de tireoide pode assustar, mas conhecer o tipo exato do tumor é o primeiro passo para enxergar o quadro com mais clareza, buscando o melhor tratamento possível e a manutenção de uma boa qualidade de vida.


