Uma cirurgia poder ser feita sem cortes externos, com alta precisão e recuperação mais rápida parece filme futurista. Mas hoje isso já é realidade graças à cirurgia robótica transoral (TORS).
Como surgiu a cirurgia robótica transoral?
Por muito tempo, cirurgias de cabeça e pescoço exigiram cortes extensos para alcançar áreas profundas e delicadas. Isso prolongava o tempo cirúrgico – que poderia chegar a 12 horas, em alguns casos – e também tornava a recuperação mais lenta – com longas internações e extenso processo de reabilitação para deglutição e fala. Além disso, as cicatrizes eram visíveis e, muitas vezes, grandes.
Com o avanço da tecnologia robótica, surgiu uma alternativa: operar por dentro da boca, usando instrumentos robóticos controlados pelo cirurgião. Essa técnica, chamada de TORS (Transoral Robotic Surgery), foi desenvolvida em 2005, pelo Departamento de Otorrinolaringologia – Cirurgia de Cabeça e Pescoço da Universidade da Filadélfia (EUA) e mudou a forma de tratar diversas condições.

O que é e como funciona a TORS?
A TORS é uma cirurgia minimamente invasiva em que o cirurgião utiliza um console para controlar um robô com braços finos e precisos que alcançam regiões difíceis, como a orofaringe, base da língua e laringe. O uso de uma câmera de excelente resolução permite uma visualização detalhada de todo o procedimento. Isso faz com que:
- Nenhuma incisão externa seja necessária: o acesso é feito pela boca;
- Haja alta precisão, com a retirada do tumor feita com segurança e protegendo a área ao redor dele;
- A recuperação seja mais rápida, com menos dor, menor tempo de internação e retorno mais ágil às atividades.
Durante o procedimento, o paciente é anestesiado, com a boca aberta, permitindo que as áreas necessárias sejam acessadas. O tempo da cirurgia costuma variar de caso a caso.
É comum que, após o procedimento, o paciente sinta um pouco de dor e dificuldade para engolir. Para garantir que não haja problemas, a equipe médica costuma manter o paciente no hospital de um a dois dias para monitoramento.
Após uma semana, o resultado anatomopatológico orienta os próximos passos, que podem incluir radioterapia ou quimioterapia – a depender da análise do cirurgião de cabeça e pescoço responsável.

Onde ela pode ser utilizada?
A TORS pode ser utilizada para:
- Remoção de tumores benignos ou malignos na garganta, base da língua e amígdalas;
- Tratamento de apneia obstrutiva do sono em casos selecionados;
- Ressecção de lesões em áreas de difícil acesso na laringe e faringe.
A TORS pode não ser a melhor opção em casos de:
- Tumores extensos que exigem reconstrução imediata;
- Boca pequena ou fatores anatômicos que dificultam o acesso do robô;
- Condições que aumentam risco de sangramento ou problemas respiratórios graves.
Nesses casos, a cirurgia tradicional pode ser mais segura.
Por que a cirurgia robótica transoral é um avanço tão importante?
A TORS representa uma das maiores evoluções na cirurgia de cabeça e pescoço. Não se trata de substituir médicos, mas sim de dar mais recursos para que o cirurgião opere com segurança e precisão. Hoje, a TORS já é realidade em centros especializados e, com o avanço da tecnologia, tende a se tornar cada vez mais acessível.
Se antes as opções cirúrgicas eram limitadas por causa da complexidade anatômica, hoje a tecnologia está abrindo portas — literalmente, pela boca — para tratamentos mais eficazes, com menor risco de complicações, preservação de estruturas importantes para fala e deglutição e um pós-operatório mais simples.


