A preocupação com nódulos de tireoide é comum, especialmente quando um exame de ultrassom aponta algo inesperado. A investigação de uma suspeita de câncer, muitas vezes começa com exames de imagem – que são menos invasivos.
Contudo, a confirmação do diagnóstico final da doença só vem, muitas vezes, depois da realização de exames mais aprofundados como a PAAF (Punção Aspirativa por Agulha Fina) ou biópsias – em que parte, ou a totalidade do tecido suspeito é retirada para análise laboratorial.
Se você está investigando um nódulo na tireoide e precisou fazer a PAAF, provavelmente o resultado do exame veio a partir de uma classificação chamada Bethesda. Vamos entender o que é isso?
Bethesda: avaliando nódulos de tireoide
A classificação Bethesda é uma escala que avalia as possibilidades de um nódulo de tireoide ser cancerígeno baseado na análise citológica realizada com o material retirado durante a PAAF.
Ela foi desenvolvida em 2010 durante uma reunião científica na cidade de Bethesda, EUA, para melhorar a comunicação entre profissionais de saúde envolvidos no diagnóstico do câncer de tireoide fornecendo uma linguagem comum que agilizasse diagnósticos e tratamentos.
A classificação divide os resultados em seis categorias, cada uma com diferentes níveis de risco de malignidade. Entender essa classificação ajuda a decidir os próximos passos, como acompanhamento, exames adicionais ou cirurgia.
As seis categorias da classificação Bethesda
As categorias são:
1. Bethesda I – Não diagnóstico:
- Descrição: A quantidade da amostra coletada não foi suficiente (ou não foi de boa qualidade) para uma análise conclusiva.
- Próximo passo: O mais recomendado é que a PAAF seja refeita.
2. Bethesda II – Benigno (risco de malignidade de 2-7%):
- Descrição: Risco muito baixo de câncer.
- Próximo passo: Apenas o acompanhamento regular com ultrassonografia da tireoide é suficiente. Caso o nódulo cause dificuldade respiratória, dificuldade na deglutição ou alguma queixa estética pode ser realizado um procedimento cirúrgico.
3. Bethesda III – Atipia de significado indeterminado (risco de malignidade de 13-30%):
- Descrição: Alterações suspeitas, mas o exame microscópico não pode classificar de forma confiável o resultado como benigno ou maligno.
- Próximo passo: Conversar com o médico para definir os próximos passos, que podem incluir a repetição da PAAF, testes moleculares ou até cirurgia.
4. Bethesda IV – Suspeito para neoplasia folicular (risco de malignidade de 23-34%):
- Descrição: Possibilidade de neoplasia, que pode ser benigna ou maligna.
- Próximo passo: Conversar com o médico para definir os próximos passos, que podem incluir testes moleculares ou até cirurgia. Existem casos em que nódulos Bethesda IV podem ser acompanhados.
5. Bethesda V – Suspeito para malignidade (risco de malignidade de 67-83%):
- Descrição: Alta probabilidade de câncer.
- Próximo passo: Geralmente a cirurgia é indicada devido ao alto risco de câncer, podendo ser discutida a necessidade de remoção parcial ou total da tireoide.
6. Bethesda VI – Maligno (risco de malignidade de 97-100%):
- Descrição: Diagnóstico quase conclusivo de câncer, sendo os mais comuns: carcinoma papilífero, folicular, medular e anaplásico.
- Próximo passo: Tratamento cirúrgico com remoção total ou parcial da tireoide.
Por que essa classificação é importante?
A padronização promovida pela classificação Bethesda facilita a comunicação entre médicos, laboratoristas e outros profissionais de saúde, resultando em um atendimento mais ágil e eficaz. Para pacientes, isso significa um cuidado com decisões mais direcionadas – ainda que o processo de decisão final de tratamento esteja sempre alinhada não só à ciência, mas às preferências pessoais e à saúde geral do próprio paciente.


