Quando um nódulo suspeito é identificado na tireoide, o tratamento frequentemente começa com uma cirurgia, que pode ser parcial ou total, dependendo do caso. Após a cirurgia, o diagnóstico definitivo é feito por meio de uma análise laboratorial do nódulo retirado.
Se for confirmado como câncer de tireoide, a análise também avalia o risco de a doença retornar. Caso haja um alto risco de recidiva, a iodoterapia pode ser indicada como tratamento complementar à cirurgia.
O que é iodoterapia?
A iodoterapia, também conhecida como radioiodoterapia ou iodo radioativo, é um tratamento especializado para condições relacionadas à tireoide, como o hipertireoidismo e o câncer de tireoide. O processo utiliza o iodo radioativo (Iodo-131).
Como a tireoide é o órgão que mais absorve iodo, isso garante que o iodo radioativo seja direcionado quase exclusivamente para ela, eliminando células anormais sem afetar excessivamente outras partes do corpo. Inclusive, células cancerígenas que se originam na tireoide mantêm essa característica de absorção de iodo, permitindo que sejam destruídas pela radiação de dentro para fora.
Quando a iodoterapia é indicada?
- No tratamento do hipertireoidismo: quando outros tratamentos, como medicamentos ou cirurgia, não são eficazes ou quando o paciente apresenta contraindicações a opções tradicionais;
- No combate ao câncer de tireoide: como complemento à cirurgia, especialmente em tumores diferenciados – como os carcinomas papilífero e folicular –, situações em que há risco de recidiva e na presença de pequenas metástases.
Seja qual for o tratamento, a decisão é feita por um médico especializado – o médico nuclear, não o cirurgião –, que avalia e prescreve cuidadosamente se a iodoterapia é a melhor opção e ajusta o tratamento às necessidades individuais de cada paciente.
Como funciona a iodoterapia?
Antes do tratamento, são necessários alguns preparos importantes:
- Dieta pobre em iodo: por cerca de duas semanas, é necessário reduzir o consumo de alimentos ricos em iodo, como frutos do mar e sal iodado. Também é indicado que se evite produtos como maquiagem, tinturas, esmaltes e outros itens que possam conter a substância;
- Suspensão da reposição de hormônio tireoidiano ou uso de injeção para simular a parada do hormônio tireoidiano: o uso de hormônios tireoidianos pode ser pausado, para garantir que as células da tireoide absorvam mais o iodo radioativo. Hoje em dia, nem sempre é necessário que os pacientes suspendam o uso desse medicamento antes da iodoterapia, porque existe uma injeção que simula essa suspensão, evitando os efeitos colaterais do hipotireoidismo e oferecendo mais conforto ao paciente.
O iodo radioativo é administrado via oral, geralmente em cápsulas ou em líquido.
Após a ingestão, é necessário um isolamento temporário para evitar a exposição de outras pessoas e de pequenos animais à radiação – por causa disso, muitas vezes é indicado um período de internação de 24 a 72 horas.
Também é recomendado que os pacientes bebam bastante líquido para que a radiação seja eliminada pela urina. Além de consumir balas azedas e frutas cítricas, que estimulam a salivação, para evitar que o iodo radioativo se acumule nas glândulas salivares causando a boca seca – que é um dos efeitos colaterais.
A iodoterapia é amplamente utilizada e considerada segura quando realizada sob supervisão médica. Contudo, há contraindicações, especialmente para mulheres grávidas – já que a radiação pode colocar o bebê em risco.
Possíveis efeitos colaterais incluem: boca seca, alteração no paladar, risco de infecções bucais e aumento na incidência de cáries (pela diminuição da saliva), dificuldade temporária de mastigação ou deglutição. Esses sintomas costumam ser temporários e controláveis.
Após a iodoterapia, o acompanhamento médico é essencial. Ele inclui uma avaliação detalhada da presença de câncer residual a partir de exames como:
- Tireoglobulina estimulada: a dosagem da tireoglobulina no sangue avalia a resposta bioquímica ao tratamento. Valores baixos indicam baixo risco de recidiva. Valores alterados podem indicar pequenos focos de doença residual ou metástases em outras partes do corpo;
- Pesquisa de corpo inteiro (PCI): um exame de cintilografia mapeia onde o iodo foi absorvido no corpo. Esse mapeamento fornece informações valiosas sobre possíveis focos de doença residual e metástases.
No acompanhamento, também são feitos exames periódicos de sangue para monitorar os níveis dos hormônios tireoidianos e da tireoglobulina. Da mesma forma, são realizadas ultrassonografias de pescoço para avaliação periódica dos linfonodos cervicais.
Por que a iodoterapia é tão importante?
A iodoterapia melhora significativamente as chances de cura e controle do câncer de tireoide, especialmente em casos de maior risco. Ela é uma técnica consolidada e segura, reconhecida por sua eficácia ao longo dos anos. Embora o processo possa parecer desafiador – especialmente para pacientes que já passaram pela cirurgia de remoção da tireoide e estarão se submetendo a mais um tratamento –, ele representa um passo importante para garantir a manutenção da saúde e do bem-estar.


