“Letra de médico” pode custar caro para a saúde do paciente

Situações em que pacientes saem do consultório com uma receita nas mãos, mas sem conseguir entender o que está escrito são mais comuns do que deveriam. É por causa disso que a expressão “letra de médico” tornou-se um clichê associado à caligrafia ruim, mas o problema vai muito além de um papel entregue ao final da consulta.

Receitas, atestados, pedidos de exames e prontuários ilegíveis são exemplos de uma má prática médica que pode gerar sérias consequências:

  • Uso incorreto de medicamentos.
  • Erros e confusões na investigação do diagnóstico e no tratamento.
  • Atrasos nos cuidados necessários.
  • Desconfiança e insegurança entre médico e paciente.

De acordo com a Lei 14.063/2020, receitas médicas devem ser escritas de forma legível, sem abreviações, e observando a nomenclatura e o sistema de pesos e medidas oficiais. Ignorar essa regra pode levar, inclusive, a consequências legais para o profissional.

Além disso, o Código de Ética Médica proíbe expressamente que médicos emitam documentos de forma ilegível ou secreta, reforçando que a clareza é essencial no cuidado com o paciente. 

A comunicação é parte do tratamento

Quando um paciente não entende as orientações, perde-se uma parte essencial do cuidado: a confiança. Isso porque a saúde começa com o diálogo e a compreensão. Quando o paciente entende claramente as orientações, ele se engaja mais no tratamento, aumentando as chances de sucesso.

Nesse sentido, é importante que o profissional:

  • Escreva com clareza: reserve tempo para elaborar documentos médicos acessíveis;
  • Adapte a linguagem: explique os termos técnicos de forma simples e compreensível;
  • Invista em prescrição digital: ela é prática, legível e pode ser entregue de forma impressa ou enviada digitalmente ao paciente.

Do lado do paciente, é essencial que:

  • Não haja medo ou vergonha de perguntar: se algo não ficar claro, é necessário que informações detalhadas sejam solicitadas;
  • Sugira-se alternativas: o paciente pode conversar com o médico sobre a possibilidade de utilizar a prescrição digital.

Por que isso importa?

A saúde começa com uma comunicação clara. Quando o paciente entende o que está escrito e dito, ele participa de forma ativa do seu cuidado, aumentando as chances de sucesso. Garantir essa clareza não é apenas uma questão ética, mas um direito de todo paciente e um dever de cada profissional de saúde. 

Sobre o autor

Dr. Tiago Valim

Cirurgião de Cabeça e Pescoço
CRM-SP 144.803 | RQE 82.374

O Dr. Tiago Valim é médico formado pela Unicamp, com residência em Cirurgia Geral e Cirurgia de Cabeça e Pescoço pela USP. Atuou no Hospital das Clínicas e no Instituto do Câncer do Estado de São Paulo (ICESP), além de participar de missões humanitárias com os Médicos Sem Fronteiras.

Com especialização em Experiência do Paciente e Cuidado Centrado na Pessoa pelo Hospital Sírio Libanês, o Dr. Tiago se dedica a oferecer um atendimento técnico e humano, valorizando a escuta, o acolhimento e a comunicação clara com seus pacientes.

Atualmente, realiza atendimentos e cirurgias em hospitais de referência, como Sírio Libanês, Albert Einstein, Nove de Julho, Oswaldo Cruz, Samaritano e Santa Catarina. Seu trabalho é guiado pela ciência, empatia e compromisso com o bem-estar integral de cada paciente.

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