Linfoma: o que é, sintomas, diagnóstico e tratamento

Todo diagnóstico chega acompanhado de muitas perguntas. Com o linfoma, não seria diferente:

“É um câncer?”, “Tem cura?”, “Vou precisar de cirurgia?”, “Como ele é descoberto?”

Essas perguntas fazem parte do processo. E encontrar respostas confiáveis ajuda a transformar a incerteza em um caminho mais claro.

Entender o que é o linfoma, quais são seus sintomas e como funciona o tratamento permite que pacientes e familiares participem das decisões com mais segurança, sempre ao lado da equipe de saúde.

O que é linfoma?

O linfoma é um tipo de câncer do sistema linfático, que ajuda o organismo a combater infecções.

Esse sistema inclui estruturas como os linfonodos, baço, amígdalas e uma rede de vasos que transporta um fluido chamado linfa.

Ele também é composto por linfócitos – glóbulos brancos subdivididos em três tipos principais: linfócitos B, linfócitos T e células natural killer (NK). Quando alguns desses linfócitos passam a crescer de forma descontrolada, pode surgir um linfoma.

Embora a doença se manifeste principalmente nos linfonodos, ela também pode acometer outros órgãos, como:

  • baço;
  • medula óssea;
  • fígado;
  • pulmões;
  • trato gastrointestinal;
  • pele;
  • sistema nervoso central, em alguns casos.

Segundo estimativas do Instituto Nacional de Câncer (INCA), mais de 14 mil novos casos de linfoma são diagnosticados todos os anos no Brasil.

Quais são os principais tipos de linfoma?

Existem dezenas de subtipos de linfoma, mas eles são divididos em duas grandes categorias.

Linfoma de Hodgkin

O linfoma de Hodgkin representa cerca de 15 a 30% dos casos. 

Sua principal característica é a presença das chamadas células de Reed-Sternberg, que são células anormais derivadas dos linfócitos B.

Seus subtipos são:

  • Linfoma de Hodgkin Clássico (LHC): representa cerca de 95% dos casos de linfoma de Hodgkin;
  • Linfoma de Hodgkin Nodular Predominantemente Linfocítico (LH-NPL): é mais raro, representando cerca de 5% dos casos. Costuma apresentar crescimento mais lento e excelente resposta ao tratamento.

Linfoma não Hodgkin

Os linfomas não Hodgkin correspondem à maioria dos casos e incluem mais de 70 subtipos diferentes, que podem apresentar comportamentos bastante variados. 

Eles podem ser classificados conforme o tipo de linfócito acometido:

  • linfomas de células B;
  • linfomas de células T;
  • linfomas de células NK.

E também podem ser classificados conforme a velocidade de crescimento:

  • Linfomas de baixo grau (indolentes): são tumores de crescimento lento e, em algumas situações, podem ser apenas acompanhados inicialmente;
  • Linfomas de grau intermediário: apresentam crescimento mais acelerado, mas costumam responder bem ao tratamento;
  • Linfomas de alto grau: são tumores de evolução rápida e exigem início imediato do tratamento.

O que causa o linfoma?

Na maioria das vezes, não existe uma causa única identificável para o surgimento de um linfoma.

Sabe-se que alguns fatores podem aumentar o risco de desenvolver a doença, como:

  • idade avançada (embora alguns tipos também sejam comuns em adultos jovens);
  • alterações do sistema imunológico;
  • doenças autoimunes;
  • infecção por alguns vírus, como Epstein-Barr (EBV), HTLV-1 e HIV;
  • infecção pela bactéria Helicobacter pylori em alguns tipos específicos;
  • uso prolongado de medicamentos imunossupressores.

É importante lembrar que ter fatores de risco não significa que a pessoa desenvolverá linfoma. Da mesma forma, muitos pacientes diagnosticados não se encaixam em nenhum desses fatores.

Quais são os sintomas do linfoma?

Os sintomas variam conforme o tipo de linfoma e os órgãos acometidos.

O sinal mais conhecido é o aumento dos linfonodos no pescoço, nas axilas ou nas virilhas.

Esses gânglios geralmente apresentam algumas características:

  • aumento progressivo;
  • consistência endurecida;
  • pouca ou nenhuma dor.

Além disso, podem surgir outros sintomas, como:

  • febre persistente, principalmente à noite;
  • suor noturno intenso;
  • perda de peso involuntária e inexplicável;
  • cansaço excessivo;
  • coceira pelo corpo;
  • falta de ar ou tosse, quando há comprometimento do tórax.

Febre persistente, suor noturno intenso e perda de peso involuntária são conhecidos como sintomas B e fazem parte do estadiamento do linfoma.

Vale lembrar que linfonodos aumentados nem sempre significam câncer. Infecções virais, bacterianas e outras doenças inflamatórias também podem causar aumento dos gânglios.

Por isso, apenas uma avaliação médica pode identificar a causa.

Quando um linfonodo merece investigação?

É comum que os linfonodos aumentem durante infecções e retornem ao tamanho habitual após alguns dias ou semanas.

Entretanto, alguns sinais merecem atenção, como:

  • aumento persistente por mais de três a quatro semanas;
  • crescimento progressivo;
  • endurecimento;
  • associação com febre prolongada, suor noturno ou perda de peso.

Nessas situações, é importante procurar avaliação médica para definir a necessidade de exames complementares.

Como é feito o diagnóstico do linfoma?

O diagnóstico envolve diferentes etapas.

Inicialmente, o médico realiza a consulta clínica e o exame físico.

Depois, podem ser solicitados:

  • Exames de sangue: especialmente o hemograma completo, para detectar alterações na contagem de células sanguíneas;
  • Exames de imagem: seja ultrassonografia, tomografia computadorizada ou ressonância magnética, para avaliação da extensão da doença.

Entretanto, a confirmação requer a biópsia do linfonodo aumentado. O material retirado é analisado por um médico patologista e submetido a exames específicos, capazes de identificar com precisão o tipo e o subtipo do linfoma.

Isso é fundamental, já que diferentes tipos de linfoma exigem tratamentos diferentes.

O que é o estadiamento?

Após a confirmação do diagnóstico, é realizado o estadiamento, que determina até onde a doença se espalhou.

De forma simplificada, o linfoma pode ser classificado em quatro estágios:

  • Estágio I: acometimento de apenas uma região de linfonodos ou um único órgão.
  • Estágio II: duas ou mais regiões do mesmo lado do diafragma.
  • Estágio III: comprometimento de regiões acima e abaixo do diafragma.
  • Estágio IV: acometimento de órgãos além do sistema linfático, como fígado, pulmão, medula óssea ou outros órgãos.

Diferentemente de muitos tumores sólidos, um estágio mais avançado não significa necessariamente menor chance de resposta ao tratamento. Diversos linfomas continuam apresentando excelente resposta terapêutica mesmo em fases mais avançadas.

Como é o tratamento do linfoma?

O tratamento depende do subtipo da doença, do estágio e das características de cada paciente.

As principais opções incluem:

Observação ativa

Alguns linfomas de crescimento lento podem ser apenas acompanhados inicialmente, adiando o tratamento até que os riscos do linfoma ultrapassem os riscos de efeitos colaterais.

Quimioterapia

É a principal forma de tratamento da maioria dos linfomas. Os medicamentos atuam destruindo as células tumorais ou impedindo sua multiplicação e podem ser administrados por via oral ou intravenosa em ciclos que permitem que o corpo se recupere entre as doses. 

Imunoterapia

Alguns medicamentos estimulam o sistema imunológico a reconhecer e atacar as células do linfoma. Hoje, eles fazem parte do tratamento de diversos subtipos.

Terapia-alvo

Utiliza medicamentos direcionados a alterações específicas das células tumorais, tornando o tratamento mais personalizado.

Radioterapia

Pode ser indicada em situações específicas, principalmente quando a doença está localizada em uma única região ou como complemento após outros tratamentos, especialmente a quimioterapia.

Transplante de medula óssea

É reservado para alguns pacientes com doença resistente ou que apresentou recidiva após o tratamento inicial. A pessoa recebe altas doses de quimioterapia ou radioterapia para destruir as células cancerosas e, depois, a infusão de células-tronco saudáveis. Essas células podem ser do próprio paciente, ou de um doador saudável. 

O linfoma tem cura?

Diversos tipos de linfoma apresentam taxas de cura taxas que podem chegar a 90%, especialmente quando tratados de forma adequada.

Mesmo nos casos em que a cura não é possível, os avanços da hematologia e da oncologia têm permitido controlar a doença por muitos anos, com boa qualidade de vida.

O prognóstico depende de fatores como:

  • subtipo do linfoma;
  • idade;
  • estágio da doença;
  • resposta ao tratamento;
  • condições gerais de saúde.

Por isso, cada caso deve ser avaliado de forma individualizada.

Como é o acompanhamento após o tratamento?

Mesmo após o término do tratamento, o acompanhamento continua sendo uma etapa importante do cuidado.

As consultas periódicas permitem:

  • monitorar a resposta ao tratamento;
  • identificar sinais de recorrência;
  • acompanhar possíveis efeitos tardios;
  • orientar hábitos que favorecem a saúde ao longo do tempo.

A frequência dessas consultas varia conforme o tipo de linfoma e a evolução de cada paciente.

Conhecimento e acolhimento caminham juntos

Receber o diagnóstico de um linfoma costuma trazer medo, dúvidas e muitas incertezas. Mas enfrentar esse momento não significa lidar sozinho com todas as perguntas.

Quando existe espaço para compreender a doença, entender as opções de tratamento e conversar abertamente com a equipe de saúde, as decisões deixam de parecer tão difíceis.

É esse cuidado que faz diferença: olhar para além do diagnóstico e construir um acompanhamento baseado em atenção, acolhimento e responsabilidade. Porque cuidar também significa ouvir, explicar e caminhar ao lado de quem está enfrentando a doença.

Sobre o autor

Dr. Tiago Valim

Cirurgião de Cabeça e Pescoço
CRM-SP 144.803 | RQE 82.374

O Dr. Tiago Valim é médico formado pela Unicamp, com residência em Cirurgia Geral e Cirurgia de Cabeça e Pescoço pela USP. Atuou no Hospital das Clínicas e no Instituto do Câncer do Estado de São Paulo (ICESP), além de participar de missões humanitárias com os Médicos Sem Fronteiras.

Com especialização em Experiência do Paciente e Cuidado Centrado na Pessoa pelo Hospital Sírio Libanês, o Dr. Tiago se dedica a oferecer um atendimento técnico e humano, valorizando a escuta, o acolhimento e a comunicação clara com seus pacientes.

Atualmente, realiza atendimentos e cirurgias em hospitais de referência, como Sírio Libanês, Albert Einstein, Nove de Julho, Oswaldo Cruz, Samaritano e Santa Catarina. Seu trabalho é guiado pela ciência, empatia e compromisso com o bem-estar integral de cada paciente.

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