“Todo paciente tem direito a ser tratado com respeito, a entender o próprio diagnóstico e a participar das decisões sobre o seu tratamento.”
Parece óbvio, mas, na prática, nem sempre é o que acontece. É justamente por isso que existe a Carta dos Direitos dos Usuários de Saúde.
Mais do que um texto burocrático, essa carta é, portanto, um instrumento de cidadania que informa pacientes e profissionais, além de orientar todos os níveis do sistema de saúde sobre seus direitos e deveres.
O que é a Carta dos Direitos dos Usuários de Saúde?
A Carta dos Direitos dos Usuários de Saúde foi criada pelo Ministério da Saúde para orientar e proteger todas as pessoas que usam o Sistema Único de Saúde (SUS) e, além disso, os serviços privados conveniados.
A primeira versão foi elaborada pelo ex-ministro Saraiva Felipe, como uma alternativa ao projeto de Lei de Responsabilidade Sanitária. Enquanto a lei previa punições para gestores que não cumprissem suas funções, a carta teve outro foco: definir os direitos e as responsabilidades de gestores, trabalhadores e usuários, tornando o debate sobre o direito à saúde mais qualificado.
Aprovada em 2009 pelo Conselho Nacional de Saúde e atualizada em 2017, a carta hoje se baseia em sete diretrizes.
As sete diretrizes da Carta dos Direitos dos Usuários de Saúde
Acessibilidade e direito à saúde
Todo paciente tem direito ao acesso a bens e serviços de saúde ordenados e organizados, abrangendo promoção, prevenção, tratamento e recuperação da saúde. Além disso, o atendimento preferencialmente deve começar nas unidades básicas de saúde próximas à residência do usuário.
O paciente também tem direito de acessar seu prontuário médico e, ainda, de buscar uma segunda opinião ou solicitar outro tratamento em qualquer fase do cuidado.
Atendimento de qualidade e tratamento adequado
Toda pessoa tem direito a um atendimento integral, ético e humanizado, com tratamentos adequados e em tempo hábil. Além disso, isso inclui o direito ao alívio da dor, quando necessário, e ao atendimento imediato em situações de urgência e emergência.
O paciente deve receber informações claras e compreensíveis sobre seu estado de saúde e decidir quem pode ter acesso a essas informações.
Atendimento humanizado
Todos têm direito a um atendimento inclusivo, acolhedor e livre de discriminação.
Profissionais qualificados devem realizar o cuidado em um ambiente limpo, confortável e acessível.
Parte disso é garantir que o paciente possa ter um acompanhante de livre escolha em consultas, exames e internações.
Respeito:
Cada pessoa deve ter seus valores, cultura e direitos respeitados em todas as relações com os serviços de saúde. O respeito é a base do atendimento humanizado e da construção de vínculos entre paciente e equipe.
Corresponsabilidade:
Todo cidadão também tem deveres para garantir a continuidade e eficácia do próprio tratamento. Entre eles estão:
- Fornecer informações completas e verdadeiras sobre seu estado de saúde;
- Seguir o tratamento prescrito e comparecer às consultas e exames;
- Assumir responsabilidade por recusas ou interrupções voluntárias de procedimentos;
- Tratar profissionais e outros usuários com respeito;
- Manter documentos e exames em mãos quando solicitado;
- Comunicar às autoridades casos de doenças transmissíveis, quando necessário.
Direito à informação
O paciente tem direito a informações claras sobre os serviços de saúde, como: endereços, horários e procedimentos disponíveis, além da possibilidade de fazer parte dos mecanismos de participação cidadã.
A carta também reforça o dever de envolver a comunidade em ações de educação em saúde e na defesa do SUS como patrimônio público.
Participação e comprometimento:
Todos têm direito de participar dos Conselhos e Conferências de Saúde e de exigir que os gestores garantam o cumprimento de todos os princípios anteriores.
Além disso, quando algo estiver em desacordo com a carta, é possível entrar em contato com a Ouvidoria Geral do SUS pelo Disque Saúde 136; ou, em casos relacionados a planos de saúde privados, acionar o Disque ANS (0800 701 9656).
Um lembrete para profissionais e pacientes
A carta também é um lembrete para quem trabalha com saúde: o cuidado não é só técnico. Quando esses direitos são respeitados, o vínculo entre médico e paciente se fortalece, e o tratamento se torna mais eficaz.
Por isso, esse documento deve estar presente nas conversas, decisões e práticas diárias dos serviços de saúde, públicos e privados.
Saúde é direito, não privilégio. A informação transforma a forma como nos relacionamos com o sistema de saúde; por isso, saber que esses direitos existem é o primeiro passo para garantir que todos cumpram essas responsabilidades.
Se quiser ler o documento completo, ele está disponível no site do Ministério da Saúde.


