O que é ablação por radiofrequência e quando ela pode ser uma alternativa à cirurgia?

O tratamento mais frequente para nódulos de tireoide é uma cirurgia – que pode envolver a retirada total ou parcial da glândula. Contudo, a ablação por radiofrequência pode surgir como uma das alternativas apresentadas pelo médico. 

Mas o que é esse procedimento? Como saber se essa é a melhor escolha para o seu caso?

O que é a ablação?

A ablação é um tratamento minimamente invasivo usado para destruir ou reduzir tecidos anormais, como tumores. Existem diferentes tipos de ablação, dependendo do órgão e do método utilizado.

Em tumores de tireoide, rins, fígado, pulmão e ossos, por exemplo, é comum a ablação por radiofrequência, que aplica calor diretamente no nódulo por meio de radiofrequência. Ela é realizada com o auxílio de uma agulha fina, guiada por ultrassom ou tomografia computadorizada.

Esse procedimento faz com que o nódulo perca volume ao longo das semanas seguintes, sem a necessidade de cortes ou internação. Ele é realizado por um médico radiologista que atinge só a área necessária e uma margem de segurança, poupando os tecidos saudáveis ao redor.

Outros métodos são a ablação: por produtos químicos (quimioablação – realizada na pele, e em transplantes de medula, para remover o tumores de quem receberá a nova medula), por laser (fotoablação – realizada em cirurgias de córnea e também de pele), entre outros.

Por que a ablação por radiofrequência está ganhando espaço nos diagnósticos ligados à cabeça e pescoço?

Por muitos anos, a cirurgia foi a principal forma de tratar nódulos que causavam sintomas, desconforto estético ou preocupação com o seu crescimento – ainda que não representassem risco claro de câncer. 

A ablação por radiofrequência surgiu como uma alternativa promissora, especialmente quando o nódulo é:

  • Benigno (comprovado por biópsia/PAAF);
  • De crescimento progressivo, causando dor, compressão ou incômodo ao engolir – além de incômodo estético –, sem sinais de câncer.

Em vez de remover parte ou toda a glândula, como na tireoidectomia, a ablação trata apenas o nódulo — preservando a função do órgão afetado, o que reduz os efeitos adversos de realizar o procedimento.

Como é feito o procedimento de ablação por radiofrequência?

A ablação é feita em ambiente hospitalar ou ambulatorial, com anestesia local e sedação leve. O procedimento costuma durar cerca de 30 a 60 minutos.

Durante o procedimento, o médico identifica o nódulo com ultrassom e uma agulha fina é inserida até o interior dele. A energia térmica (radiofrequência) é aplicada com precisão para “queimar” o tecido anormal. Com o tempo, o corpo reabsorve esse tecido, reduzindo o volume do nódulo. O alívio dos sintomas, em muitos casos, costuma ser notado logo nos primeiros dias.

O paciente geralmente vai para casa no mesmo dia e, já no dia seguinte, pode retomar atividades como caminhadas leves e dirigir. Ainda assim, o acompanhamento com ultrassom é essencial para avaliar a resposta ao tratamento.

Quais são as vantagens da ablação?

A técnica é segura, eficaz e oferece diversos benefícios, como:

  • Menor risco de complicações (não mexe nos nervos da voz ou nas paratireoides, no caso de remoção de nódulos da tireoide por cirurgia);
  • Preservação da glândula (menos risco de precisar, por exemplo, de reposição hormonal, no caso da tireoide);
  • Sem cicatriz visível;
  • Recuperação rápida, com retorno à rotina no dia seguinte;
  • Resultados estéticos e funcionais positivos, com redução significativa do volume do nódulo (em média, 50% a 90%).

Quem não pode fazer ablação por radiofrequência?

Apesar de suas vantagens, a ablação por radiofrequência não é indicada para todos os casos. Ela ainda não substitui a cirurgia em nódulos malignos ou com suspeita de câncer, nem em casos de múltiplos nódulos complexos ou doenças autoimunes descontroladas.

Além disso, nódulos muito grandes podem não responder tão bem à ablação, sendo necessário, em alguns casos, realizar mais de uma sessão para alcançar a redução de volume esperada. Nesses casos, a cirurgia pode ser considerada como uma opção de tratamento, por ser mais resolutiva.

Também é importante saber que, embora existam estudos em andamento avaliando o uso da ablação em alguns tipos de câncer de tireoide, essa ainda não é uma indicação amplamente recomendada na prática clínica atual.

Além disso, por utilizar um catéter com raio-x, é contraindicado para grávidas e para mulheres que estão amamentando, a menos que o benefício do procedimento supere os riscos da radiação.

Também há contraindicação para indivíduos que estão em fase aguda do infarto, com insuficiência cardíaca aguda, em processo infeccioso ou que têm alta probabilidade de desenvolver trombose.

Por isso, é fundamental passar por uma avaliação detalhada com um especialista em cabeça e pescoço. O diagnóstico correto — e a escolha do melhor tratamento — depende, além das preferências do paciente, da combinação entre exames de imagem, histórico clínico e análise da biópsia.

Sobre o autor

Dr. Tiago Valim

Cirurgião de Cabeça e Pescoço
CRM-SP 144.803 | RQE 82.374

O Dr. Tiago Valim é médico formado pela Unicamp, com residência em Cirurgia Geral e Cirurgia de Cabeça e Pescoço pela USP. Atuou no Hospital das Clínicas e no Instituto do Câncer do Estado de São Paulo (ICESP), além de participar de missões humanitárias com os Médicos Sem Fronteiras.

Com especialização em Experiência do Paciente e Cuidado Centrado na Pessoa pelo Hospital Sírio Libanês, o Dr. Tiago se dedica a oferecer um atendimento técnico e humano, valorizando a escuta, o acolhimento e a comunicação clara com seus pacientes.

Atualmente, realiza atendimentos e cirurgias em hospitais de referência, como Sírio Libanês, Albert Einstein, Nove de Julho, Oswaldo Cruz, Samaritano e Santa Catarina. Seu trabalho é guiado pela ciência, empatia e compromisso com o bem-estar integral de cada paciente.

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