O que é o hiperparatireoidismo primário?

“Você está com cálcio alto no sangue.”

Essa frase, muitas vezes, marca o início da jornada de pessoas com hiperparatireoidismo primário, um distúrbio hormonal mais comum do que se imagina — e ainda pouco reconhecido.

Mas o que exatamente é essa condição?

Temos quatro glândulas paratireoides, localizadas atrás da tireoide, no pescoço. Elas são responsáveis por regular os níveis de cálcio no corpo — um mineral essencial para o bom funcionamento muscular, ósseo e neurológico.

No hiperparatireoidismo primário, uma ou mais dessas glândulas começam a funcionar de forma desregulada — geralmente por causa de um adenoma (um tumor benigno) ou por uma hiperplasia (aumento generalizado do órgão). Isso faz com que elas produzam paratormônio (PTH) em excesso, levando o corpo a manter o cálcio do sangue alto.

Isso é um problema, porque esse desequilíbrio do cálcio pode causar vários sintomas e complicações:

  • Cansaço e fraqueza constantes;
  • Pedras nos rins;
  • Constipação;
  • Dores ósseas ou fraturas espontâneas;
  • Osteoporose;
  • Transtornos do humor, como irritabilidade e depressão;
  • Dificuldades cognitivas e lapsos de memória.

Como o diagnóstico é feito?

Historicamente, o hiperparatireoidismo primário era diagnosticado quando os pacientes tinham pedras nos rins de forma recorrente ou alguma doença óssea mais avançada. Hoje, exames de sangue de rotina ajudam a detectar níveis elevados de cálcio antes mesmo do aparecimento dos sintomas.

Mas estar com a taxa de cálcio elevada não necessariamente significa ter hiperparatireoidismo. Por isso, é essencial medir também o nível de PTH no sangue. Se ambos estiverem altos, o diagnóstico fica mais provável.

Exames de urina, densitometria óssea e exames de imagem também podem ser solicitados para entender o impacto da doença e planejar o tratamento.

Qual é o tratamento?

O tratamento definitivo é cirúrgico com a remoção da(s) glândula(s) afetada(s). Existem dois tipos de operações mais comuns:

  • Paratireoidectomia minimamente invasiva: técnica direcionada à glândula doente, com menor impacto nos tecidos ao redor – costuma ser a preferida;
  • Exploração bilateral da loja tireoideana: utiliza uma incisão maior que permite ao cirurgião acessar as quatro glândulas para remover as hiperativas.

A cirurgia tem alta taxa de sucesso e, em geral, proporciona alívio rápido dos sintomas. Após o procedimento, os níveis de cálcio podem cair temporariamente, mas geralmente se normalizam em poucas semanas ou meses.

Em alguns casos, especialmente quando os níveis de cálcio estão apenas um pouco aumentados e não há sintomas significativos, o médico pode recomendar acompanhamento clínico com exames periódicos – geralmente a cada 6 meses – sem a realização da cirurgia.

Por que isso importa tanto?

O hiperparatireoidismo primário é o terceiro distúrbio endócrino mais comum, atrás apenas do diabetes e das doenças da tireoide. Cerca de 80% dos casos são causados por um único adenoma e menos de 1% está associado a câncer na paratireoide.

Como o adenoma não costuma ser palpável e o excesso de cálcio em pequenas quantidades é assintomático, a doença pode passar despercebido por muito tempo e ser descoberta só depois que alguns sintomas já viraram parte da rotina.

Nesse sentido, é importante identificar logo para tratar e evitar prejuízos à saúde óssea, renal e mental. Se você ou alguém próximo recebeu esse diagnóstico, ou está com exames alterados e quer entender melhor, procure um especialista. Um acompanhamento individualizado pode transformar sua qualidade de vida.

Sobre o autor

Dr. Tiago Valim

Cirurgião de Cabeça e Pescoço
CRM-SP 144.803 | RQE 82.374

O Dr. Tiago Valim é médico formado pela Unicamp, com residência em Cirurgia Geral e Cirurgia de Cabeça e Pescoço pela USP. Atuou no Hospital das Clínicas e no Instituto do Câncer do Estado de São Paulo (ICESP), além de participar de missões humanitárias com os Médicos Sem Fronteiras.

Com especialização em Experiência do Paciente e Cuidado Centrado na Pessoa pelo Hospital Sírio Libanês, o Dr. Tiago se dedica a oferecer um atendimento técnico e humano, valorizando a escuta, o acolhimento e a comunicação clara com seus pacientes.

Atualmente, realiza atendimentos e cirurgias em hospitais de referência, como Sírio Libanês, Albert Einstein, Nove de Julho, Oswaldo Cruz, Samaritano e Santa Catarina. Seu trabalho é guiado pela ciência, empatia e compromisso com o bem-estar integral de cada paciente.

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