O que significa a classificação TI-RADS?

A preocupação com nódulos de tireoide é comum, especialmente quando um exame de ultrassom aponta algo inesperado. Contudo, quando se fala de câncer, a confirmação do diagnóstico final da doença só vem, muitas vezes, depois da realização de exames mais aprofundados como a PAAF (Punção Aspirativa por Agulha Fina) ou biópsias – em que parte, ou a totalidade do tecido suspeito é retirada para análise laboratorial.

Esses exames, no entanto, são bastante invasivos e desconfortáveis, além de ter um alto custo não só monetário, mas emocional para os pacientes. Nesse sentido, exames de imagem, como o ultrassom, costumam ser ferramentas utilizadas pelos médicos para investigar a suspeita de câncer. 

Se você já precisou fazer um ultrassom com suspeita de nódulo de tireoide, é muito provável que o resultado tenha vindo a partir de uma classificação chamada TI-RADs. Vamos entender o que isso significa?

TI-RADS: avaliando nódulos de tireoide

O TI-RADS (Thyroid Imaging Reporting and Data System, ou Sistema de Relatórios e Dados de Imagens da Tireoide, em português) é um sistema que padroniza a avaliação de nódulos tireoidianos em exames de imagem, como o ultrassom.

Inspirado no BI-RADS, utilizado para nódulos mamários, o TI-RADS foi desenvolvido pelo American College of Radiology (ACR) para dividir o risco de malignidade em nódulos da tireoide e com isso, determinar a eventual indicação de se realizar uma punção.

Apesar de ser mais usado em ultrassons, essa pontuação também pode ser feita em outros exames de imagem, como Ressonância Magnética, Tomografia ou PET-CT, caso nódulos sejam descobertos acidentalmente.

Como funciona o TI-RADS?

O sistema TI-RADS classifica nódulos de tireoide em cinco categorias, com base em características específicas encontradas nos exames de imagem. Essas categorias são:

  • TI-RADS 1: Benigno, sem necessidade de investigação adicional.
  • TI-RADS 2: Não suspeito, mas com características que o destacam no ultrassom (risco de câncer < 2%).
  • TI-RADS 3: Baixa suspeita, pode requerer acompanhamento clínico (risco de câncer de 2 a 5%).
  • TI-RADS 4: Suspeita moderada, a PAAF pode ser recomendada (risco de câncer de 5 a 20%).
  • TI-RADS 5: Alta suspeita, a maior probabilidade de malignidade requer uma investigação mais detalhada (risco de câncer > 20%).

Quais são os critérios de avaliação do TI-RADS?

A classificação TI-RADS é baseada em cinco critérios principais:

  • Composição: O nódulo pode ser cístico, espongiforme, misto sólido-cístico ou sólido.
  • cístico: preenchido por líquido;
  • espongiforme: compostos por espaços com líquido que ocupam menos de 50% do volume do nódulo;
  • misto sólido-cístico: combina características sólidas e líquidas (não necessariamente 50% de cada uma);
  • sólido: composto majoritariamente por tecidos.
  • Ecogenicidade:
    • Hiperecoico: mais brilhantes ou claros do que as estruturas ao redor;
    • Isoecóico: mesma intensidade ou tonalidade das estruturas ao redor;
    • Hipoecoico: mais escuros do que a estrutura ao redor;
    • Marcadamente hipoecoico: mais escuros do que a musculatura cervical anterior. Esta característica representa alta especificidade para malignidade.
  • Forma:
    • Mais largo do que alto (menos suspeito);
    • Mais alto do que largo (mais suspeito).
  • Margens:
    • Lisas: bordas bem definidas;
    • Irregulares: bordas em formato de espigas, com dentes ou ângulos agudos;
    • Extensão extratireoidiana: borda ultrapassa o limite da tireoide;
    • Mal definidas: borda de difícil distinção com as estruturas em volta;
  • Calcificações: Microcalcificações aumentam a suspeita de malignidade.

Após uma análise técnica, cada característica recebe uma pontuação que, somada, define a classificação TI-RADS.

Por que essa classificação é importante?

O TI-RADS não é um diagnóstico definitivo de câncer, mas uma ferramenta para orientar a investigação de nódulos suspeitos, reduzindo a realização de biópsias desnecessárias, aliviando a ansiedade dos pacientes e diminuindo os custos associados. 

Junto a outras informações, como histórico familiar e características específicas do nódulo, ele ajuda médicos e pacientes a tomarem decisões compartilhadas sobre a saúde.

Sobre o autor

Dr. Tiago Valim

Cirurgião de Cabeça e Pescoço
CRM-SP 144.803 | RQE 82.374

O Dr. Tiago Valim é médico formado pela Unicamp, com residência em Cirurgia Geral e Cirurgia de Cabeça e Pescoço pela USP. Atuou no Hospital das Clínicas e no Instituto do Câncer do Estado de São Paulo (ICESP), além de participar de missões humanitárias com os Médicos Sem Fronteiras.

Com especialização em Experiência do Paciente e Cuidado Centrado na Pessoa pelo Hospital Sírio Libanês, o Dr. Tiago se dedica a oferecer um atendimento técnico e humano, valorizando a escuta, o acolhimento e a comunicação clara com seus pacientes.

Atualmente, realiza atendimentos e cirurgias em hospitais de referência, como Sírio Libanês, Albert Einstein, Nove de Julho, Oswaldo Cruz, Samaritano e Santa Catarina. Seu trabalho é guiado pela ciência, empatia e compromisso com o bem-estar integral de cada paciente.

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