O tipo mais frequente de câncer de tireoide é o carcinoma papilífero, mas ele não é o único.
Algumas pessoas descobrem que têm outro tipo da doença – mais raro e com informações menos disponíveis ou difíceis de entender.
Como cada tipo de câncer de tireoide tem características próprias e estratégias específicas de tratamento, conhecer essas diferenças ajuda a compreender melhor o diagnóstico e permite participar das decisões ao lado da equipe médica.
Quais são os tipos de câncer de tireoide?
Os cânceres de tireoide mais comuns são:
- carcinoma papilífero;
- carcinoma folicular.
Eles são chamados de cânceres diferenciados da tireoide e, juntos, representam mais de 90% dos casos. Geralmente, são cânceres que apresentam crescimento lento e excelente resposta ao tratamento.
Já os tumores menos frequentes incluem:
- carcinoma medular da tireoide;
- carcinoma de células de Hürthle;
- carcinoma pouco diferenciado;
- carcinoma anaplásico;
- linfoma primário da tireoide;
- sarcomas e outros tumores extremamente raros.
Embora representem uma pequena parcela dos casos, esses tumores exigem atenção especial porque costumam apresentar comportamento diferente e podem exigir estratégias específicas de tratamento.
Por que alguns cânceres de tireoide são considerados raros?
Um câncer é considerado raro quando ocorre em uma pequena proporção da população.
No caso da tireoide, isso significa tumores que aparecem com muito menos frequência do que os carcinomas papilífero e folicular.
Além da baixa incidência, muitos desses tumores possuem características próprias quanto:
- à origem das células;
- ao comportamento biológico;
- à velocidade de crescimento;
- à forma de disseminação;
- à resposta aos tratamentos disponíveis.
Por isso, identificar corretamente o subtipo do tumor é uma etapa fundamental do planejamento terapêutico.
Carcinoma medular da tireoide
O carcinoma medular representa cerca de 3% a 5% dos cânceres da tireoide.
Diferentemente dos tumores diferenciados, ele não se origina das células foliculares responsáveis pela produção dos hormônios tireoidianos. Seu desenvolvimento acontece nas células C (ou parafoliculares), responsáveis pela produção da calcitonina.
Essa característica faz com que a dosagem da calcitonina seja um dos principais exames utilizados tanto no diagnóstico quanto no acompanhamento da doença.
Esse câncer pode se espalhar (passar por metástase) por meio dos vasos linfáticos aos linfonodos e por meio do sangue ao fígado, pulmões e ossos.
O tratamento costuma envolver:
- tireoidectomia total;
- esvaziamento cervical, quando indicado;
- terapias-alvo em casos avançados.
Ao contrário do carcinoma papilífero e do folicular, o carcinoma medular não responde ao tratamento com iodo radioativo.
Existem 2 tipos de carcinoma medular:
- Carcinoma medular esporádico: representa 75% dos casos, não é hereditário e afeta apenas um lobo da tireoide, ocorrendo, principalmente, em adultos;
- Carcinoma medular hereditário: responsável por aproximadamente um quarto dos casos, está relacionado a mutações no gene RET. Esse tipo de câncer afeta diversas áreas de ambos os lobos da tireoide e pode se manifestar ainda na infância ou no início da idade adulta. Em situações em que é identificado, geralmente se recomenda fazer investigação genética dos familiares. Nas formas hereditárias, o carcinoma medular pode fazer parte das síndromes de neoplasia endócrina múltipla tipo 2 (MEN2), associadas a outras doenças endócrinas.
Carcinoma de células de Hürthle
O carcinoma de células de Hürthle, também chamado de carcinoma oncocítico, representa aproximadamente 3% a 5% dos cânceres da tireoide e tem mais probabilidade de se espalhar para outras regiões do corpo.
Ele se desenvolve a partir de células foliculares modificadas, que apresentam grande quantidade de mitocôndrias.
Uma característica importante é que a punção aspirativa por agulha fina (PAAF) muitas vezes não consegue diferenciar um tumor benigno de um carcinoma de células de Hürthle.
Por isso, frequentemente o diagnóstico definitivo só é confirmado após a cirurgia, quando o patologista consegue avaliar se houve invasão da cápsula do tumor ou dos vasos sanguíneos.
O tratamento costuma ser cirúrgico e, diferentemente de outros tumores diferenciados, a resposta ao iodo radioativo costuma ser mais limitada.
Carcinoma pouco diferenciado da tireoide
O carcinoma pouco diferenciado ocupa uma posição intermediária entre os tumores diferenciados e o carcinoma anaplásico.
Além de mais raro, ele apresenta comportamento mais agressivo que os carcinomas papilífero e folicular. Isso porque seu crescimento costuma ser mais rápido e o risco de disseminação para outros órgãos também é maior.
O tratamento geralmente combina cirurgia, radioterapia e, em alguns casos, terapias sistêmicas, dependendo da extensão da doença.
Carcinoma anaplásico (ou indiferenciado) da tireoide
O carcinoma anaplásico também é denominado indiferenciado, porque as células cancerígenas não se parecem muito com as células normais da tireoide sob o microscópio.
Apesar de esse ser um dos tumores mais agressivos da oncologia, felizmente ele é extremamente raro, representando menos de 2% dos cânceres da tireoide.
Em geral, acomete pessoas mais idosas e costuma apresentar crescimento muito rápido, além de ter a tendência a se espalhar por todo o corpo. Seus principais sintomas são:
- aumento rápido de um nódulo no pescoço;
- dificuldade para respirar;
- dificuldade para engolir;
- rouquidão.
Por causa de seu comportamento agressivo, o tratamento normalmente envolve uma combinação de diferentes estratégias, como:
- cirurgia, quando possível;
- radioterapia;
- quimioterapia;
- terapias-alvo, quando existem alterações genéticas tratáveis;
- cuidados paliativos, quando indicados.
Nos últimos anos, o desenvolvimento das terapias-alvo trouxe novas possibilidades para alguns pacientes com mutações específicas.
Linfoma primário da tireoide
O Linfoma Primário da Tireoide (LPT) é um câncer raro que se origina nos glóbulos brancos da glândula. Esse tipo de tumor corresponde a menos de 1% dos cânceres de tireoide e costuma estar associado à tireoidite de Hashimoto.
Os sintomas geralmente incluem:
- aumento rápido da tireoide;
- sensação de pressão no pescoço;
- dificuldade para respirar;
- dificuldade para engolir.
Ao contrário da maioria dos cânceres da tireoide, o tratamento normalmente não envolve cirurgia como primeira opção.
O tratamento depende do subtipo e da extensão da doença e pode envolver quimioterapia, imunoterapia e/ou radioterapia.
Sarcoma da tireoide
O sarcoma da tireoide é um tipo de câncer extremamente raro e agressivo que se origina nos tecidos de suporte da glândula, como músculos, gordura, ossos ou vasos sanguíneos.
Como o tumor cresce rápido, ele costuma comprimir ou invadir estruturas próximas. Os sinais de alerta incluem:
- inchaço ou nódulo de crescimento rápido no pescoço;
- rouquidão persistente ou mudanças repentinas na voz;
- dificuldade ou dor para engolir (disfagia);
- falta de ar ou respiração ruidosa.
Não existe um tratamento único e padronizado devido à raridade da doença. Os especialistas geralmente recomendam abordagens multidisciplinares, incluindo tratamentos cirúrgicos, radioterápicos e quimioterápicos a fim de controlar a progressão de doença e garantir qualidade de vida ao paciente.
Existem outros tumores raros da tireoide?
Embora sejam extremamente incomuns, também podem surgir:
- metástases de tumores originados em outros órgãos;
- tumores neuroendócrinos raros.
Por serem doenças raras, seu tratamento costuma ser planejado por equipes multidisciplinares com experiência em tumores de cabeça e pescoço.
Os sintomas de cânceres raros são diferentes dos mais comuns?
Independentemente do tipo de câncer, muitos pacientes apresentam os mesmos sintomas iniciais – a começar pelo nódulo na tireoide.
Conforme a doença evolui, podem surgir sintomas como:
- aumento de volume no pescoço;
- rouquidão;
- dificuldade para engolir;
- dificuldade para respirar;
- aumento dos linfonodos cervicais.
Alguns tumores, como o carcinoma medular, também podem provocar sintomas específicos relacionados à produção de substâncias hormonais, como diarreia persistente e episódios de vermelhidão facial (flushing).
Vale lembrar que a maioria dos nódulos da tireoide é benigna. A presença de um nódulo não significa, necessariamente, câncer.
O processo de diagnóstico muda para cânceres mais raros?
A partir dos surgimentos dos sintomas, a investigação costuma seguir várias etapas comuns:
- consulta médica e exame físico;
- ultrassonografia da tireoide;
- punção aspirativa por agulha fina (PAAF);
- biópsia de tireoide;
- exames laboratoriais;
- tomografia ou ressonância, quando indicadas;
- exames genéticos em situações específicas.
Caso haja suspeita de alguns tumores raros, exames específicos podem se fazer necessários, como a dosagem de calcitonina e a pesquisa de mutações no gene RET, no caso do carcinoma medular.
Outras confirmações definitivas podem ser realizadas apenas após a análise do tecido retirado durante a cirurgia, como o caso do carcinoma de células de Hürthle.
O tratamento muda conforme o tipo de câncer?
Embora a cirurgia continue sendo o principal tratamento para muitos tumores da tireoide, cada subtipo de câncer tem tratamentos próprios.
Dependendo do diagnóstico, podem ser utilizados:
- tireoidectomia parcial ou total;
- esvaziamento cervical;
- radioterapia;
- quimioterapia;
- terapias-alvo;
- imunoterapia, em situações específicas;
- iodo radioativo, apenas nos tumores que apresentam captação dessa substância.
Por isso, o tratamento nunca deve ser definido apenas pelo fato de existir um câncer na tireoide, mas pelo tipo específico da doença.
Os cânceres raros da tireoide têm cura?
A resposta depende do subtipo, do estágio da doença e das características individuais de cada paciente.
Alguns tumores raros apresentam excelente prognóstico quando diagnosticados precocemente.
Outros possuem comportamento mais agressivo, mas também contam, hoje, com tratamentos cada vez mais eficazes graças aos avanços da cirurgia oncológica, da radioterapia e das terapias-alvo.
Por isso, o diagnóstico correto e o acompanhamento com uma equipe especializada continuam sendo fatores fundamentais para oferecer as melhores possibilidades de tratamento.
Informação confiável também faz parte do tratamento
Receber o diagnóstico de um câncer raro da tireoide pode fazer com que muitas pessoas sintam que estão entrando em um território desconhecido. E, quando faltam informações claras, é comum que a ansiedade ocupe esse espaço.
Mas nenhum paciente precisa enfrentar esse caminho apenas com dúvidas.
Cada tipo de câncer da tireoide possui características próprias e exige uma avaliação individualizada. Conhecer a doença, compreender as opções de tratamento e participar das decisões ao lado da equipe médica torna todo o processo mais seguro e transparente.
Por isso, é importante buscar um espaço de acolhimento responsável, onde a informação de qualidade caminha junto com o tratamento. Porque cuidar também significa explicar, ouvir e apresentar diferentes possibilidades terapêuticas para que cada pessoa possa seguir sua jornada com mais confiança e tranquilidade.


