Tireoidectomia parcial ou total em casos de câncer: qual a diferença e como decidir?
Receber o diagnóstico de uma doença que exige cirurgia pode gerar muitas dúvidas. Para pacientes que recebem o diagnóstico de câncer de tireoide em que existe a opção de fazer a retirada parcial ou total da glândula, a mais comum é: “Devo retirar toda a tireoide ou apenas parte dela?”
Essa decisão é uma das mais importantes no tratamento cirúrgico da tireoide. Mas, afinal, quais são as diferenças entre a tireoidectomia parcial e a total – e como escolher a melhor opção para o seu caso?
O que é tireoidectomia parcial?
Na tireoidectomia parcial, o cirurgião remove apenas metade da glândula tireoide. Em casos de câncer de tireoide, essa técnica pode ser indicada em situações específicas, quando a doença está restrita a um único lado da glândula e em estágios mais iniciais.
A cirurgia parcial pode ser indicada em casos de câncer bem diferenciado de tireoide de até 4cm de diâmetro, sem sinais de extravasamento através dos limites da tireoide e sem linfonodos acometidos pelo câncer.
Além disso, é sempre importante avaliar se existem nódulos no lado da tireoide que não será operado. Caso existam, é necessário entender o risco de não removê-los, podendo ser indicada a punção do nódulo para melhor avaliação antes da tomada de decisão.
Algumas vantagens da tireoidectomia parcial são:
- existe menor risco de hipotireoidismo, o que pode evitar a necessidade de reposição hormonal;
- menor chance de alterações na voz, porque apenas um nervo das cordas vocais é manipulado;
- menor probabilidade de hipoparatireoidismo (problema ligado ao cálcio no sangue);
- recuperação mais rápida no pós-operatório.
Apesar das vantagens, durante a cirurgia pode ser necessário ampliar para uma tireoidectomia total, caso sejam encontrados linfonodos comprometidos. Além disso, se o resultado anatomopatológico indicar uma doença mais agressiva, pode ser necessário fazer a totalização em um segundo momento, algumas semanas depois da primeira cirurgia.
Ainda há a possibilidade de uma nova cirurgia no futuro se surgirem novos nódulos ou alterações nos exames de acompanhamento.
O que é tireoidectomia total?
Na tireoidectomia total, toda a glândula é removida. Esse tipo de cirurgia é indicado em casos como:
- câncer de tireoide mais agressivo ou em estágios mais avançados;
- presença de nódulos em ambos os lados da glândula;
- necessidade de iodoterapia após a cirurgia;
- quando a tireoide já perdeu totalmente a função.
As vantagens da tireoidectomia total são:
- tratamento mais definitivo, com menos risco de reoperações por causa da tireoide;
- permitir o uso da tireoglobulina como marcador de acompanhamento para identificar possíveis recidivas após o tratamento;
- possibilitar o tratamento complementar com iodo radioativo.
Por outro lado, quem opta pela retirada total da glândula corre mais riscos de complicações, como alterações na voz e hiperparatireoidismo. Além disso, o paciente precisará de reposição hormonal pelo resto da vida. Contudo, as taxas de complicações da tireoidectomia total realizada por equipes experientes ainda é baixa.
Outra informação relevante é que optar pela tireoidectomia total não garante que o paciente nunca mais precisará ser operado por causa do câncer de tireoide. A doença ainda pode recidivar nos linfonodos do pescoço, que são monitorados por ultrassom durante o seguimento.
Como escolher entre a cirurgia parcial e a total?
Quando ambas as opções são possíveis, o ideal é que o paciente discuta com o cirurgião de cabeça e pescoço os prós e contras de cada procedimento para o seu caso.
Cada cirurgia tem riscos, benefícios e impactos na qualidade de vida. Por isso, a decisão precisa ser baseada na avaliação individualizada, levando em consideração não apenas o quadro clínico, mas também o perfil de cada paciente.
Alguns pacientes preferem a cirurgia parcial para preservar ao máximo a função da tireoide e reduzir riscos. Outros optam pela total por desejarem uma solução mais definitiva para a tireoide e com menor chance de reoperações.
O papel da decisão compartilhada
Aqui entra a tomada de decisão compartilhada: um processo em que médico e paciente avaliam juntos os riscos, benefícios e preferências pessoais, escolhendo o tratamento que faz mais sentido para cada caso.
Fazer perguntas, esclarecer dúvidas e alinhar expectativas com a equipe médica é o melhor caminho para entender as opções, reduzir incertezas e ansiedades; e sentir-se mais confiante sobre o tratamento.


