Sialoendoscopia: o que é, quando é indicada e como funciona esse exame?

A saliva é importante por diversos motivos que vão desde manter a boca úmida, até ajudar na digestão dos alimentos e proteger os dentes de cáries. Ela é produzida nas glândulas salivares e, para sair delas, precisa passar por um ducto. Só que, às vezes, pequenos cristais de cálcio (e outros sais minerais presentes na saliva) se formam nesses canais. 

Caso eles cresçam a ponto de formar pedras e bloquear o ducto, podem causar dor intensa e inchaço local. Existem exames de imagem úteis no diagnóstico desse tipo de problema, como a ultrassonografia e a ressonância magnética de glândulas salivares.

Porém, em alguns casos, para chegar em um diagnóstico preciso do que está causando o desconforto, o médico pode pedir um exame chamado sialoendoscopia.

O que é a sialoendoscopia?

A sialoendoscopia consiste em um exame minimamente invasivo que permite ao médico visualizar, em tempo real, o interior dos ductos salivares — os “caminhos” por onde a saliva passa das glândulas até a boca.

Alguns sintomas, como boca seca frequente, inchaço, dores ou desconfortos na lateral do rosto ou abaixo da mandíbula, mau hálito, sensação de gosto metálico e ardência na língua podem indicar a necessidade de fazer uma investigação das glândulas salivares. 

Quando outros exames e procedimentos mais comuns não são eficazes o suficiente na investigação de problemas que acometem as principais glândulas salivares – parótidas (na lateral do rosto) e submandibulares (embaixo da mandíbula) –, a sialoendoscopia pode ser indicada.

Como ela é realizada usando um endoscópio bem fino (como um microtubo com câmera), o profissional consegue examinar os ductos de forma mais precisa. Isso permite que o tratamento mais adequado para aquele paciente seja identificado pelo médico, o que evita o agravamento do caso.

Como é feita e para que serve a sialoendoscopia?

O procedimento costuma ser realizado em ambiente hospitalar, com anestesia local (e, em alguns casos, sedação leve). A câmera endoscópica é inserida delicadamente pela abertura natural do ducto salivar — ou seja, sem cortes ou incisões.

Esse exame não serve só para diagnóstico: muitas vezes, ele também é usado para tratar problemas identificados durante o procedimento. Nesse sentido, o médico pode visualizar em detalhes os ductos e glândulas e, a partir disso:

  • Tratar sialolitíase (pedras nos ductos salivares) removendo os cálculos com pinças especiais. É possível fazer essa retirada em pedras pequenas ou médias, caso sejam grandes, a indicação é que seja realizada uma cirurgia mais específica;
  • Tratar a estenose (estreitamento dos ductos) dilatando as áreas estreitadas;
  • Tratar sialadenite (inflamação crônica das glândulas) removendo cálculos que contribuem para a inflamação e liberando antibióticos e corticoides no local, se necessário;
  • Lavar os ductos com solução fisiológica ou anti-inflamatória.

A duração do exame varia entre 30 minutos e 1 hora, dependendo do caso.

Como é o pós-procedimento?

Por ser minimamente invasivo, a recuperação costuma ser rápida. O paciente pode sentir um leve desconforto ou inchaço local por alguns dias, mas a maioria retoma as atividades habituais já no dia seguinte.

Nos casos em que houve remoção de cálculo ou dilatação de ducto, pode ser necessário um acompanhamento mais próximo e o uso de medicações anti-inflamatórias ou antibióticos.

Algumas indicações gerais costumam ser:

  • buscar se alimentar com comidas macias nos dias seguintes ao procedimento;
  • caso haja dor, usar analgésicos conforme prescrito pelo médico;
  • depois de comer, higienizar bem a boca para evitar que a área fique sujeita a infecções.

Vantagens da sialoendoscopia

A sialoendoscopia é uma das grandes inovações no diagnóstico e tratamento das doenças salivares, com benefícios como:

  • Menor risco de complicações;
  • Evita cirurgias mais invasivas (como a retirada total da glândula), o que ajuda a preservar não só as funções da glândula, como também a integridade das estruturas ao redor dela (nervos e vasos sanguíneos);
  • Menos dor e recuperação mais rápida;
  • Diagnóstico mais preciso de causas pouco visíveis em exames de imagem tradicionais.

É uma alternativa segura e moderna, especialmente para quem sofre com episódios recorrentes de dor ou inchaço nas glândulas salivares e ainda não encontrou uma resposta clara.

Sobre o autor

Dr. Tiago Valim

Cirurgião de Cabeça e Pescoço
CRM-SP 144.803 | RQE 82.374

O Dr. Tiago Valim é médico formado pela Unicamp, com residência em Cirurgia Geral e Cirurgia de Cabeça e Pescoço pela USP. Atuou no Hospital das Clínicas e no Instituto do Câncer do Estado de São Paulo (ICESP), além de participar de missões humanitárias com os Médicos Sem Fronteiras.

Com especialização em Experiência do Paciente e Cuidado Centrado na Pessoa pelo Hospital Sírio Libanês, o Dr. Tiago se dedica a oferecer um atendimento técnico e humano, valorizando a escuta, o acolhimento e a comunicação clara com seus pacientes.

Atualmente, realiza atendimentos e cirurgias em hospitais de referência, como Sírio Libanês, Albert Einstein, Nove de Julho, Oswaldo Cruz, Samaritano e Santa Catarina. Seu trabalho é guiado pela ciência, empatia e compromisso com o bem-estar integral de cada paciente.

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