Na prática clínica de um cirurgião de cabeça e pescoço existem diversas situações em que é possível estabelecer o processo de tomada de decisão compartilhada. Nesse modelo, as decisões são tomadas em conjunto com o paciente, levando em consideração seus fatores e atributos únicos e pessoais, como suas preferências, características, valores e circunstâncias.
O processo de tomada de decisão compartilhada permite que o médico e o paciente escolham a melhor conduta juntos quando as evidências científicas e a experiência clínica sugerem que há mais de um caminho para resolver uma questão.
Para um cirurgião de cabeça e pescoço, alguns exemplos comuns de decisão compartilhada são:
1 – Puncionar ou acompanhar um nódulo de tireoide?
Quando um paciente realiza um ultrassom que detecta nódulos na tireoide, existem situações de incerteza em que o nódulo poderia tanto ser puncionado como apenas acompanhado. Ambas as opções podem ser seguras. Neste caso, é possível conversar com o paciente e decidir junto com ele.
2 – Operar ou acompanhar nódulos com punção indeterminada (Bethesda III e IV)?
Quando um paciente realiza a punção de um nódulo de tireoide e o resultado é indeterminado (categorias III e IV de Bethesda), é possível que tanto a cirurgia como o acompanhamento do nódulo sejam opções de conduta. Nesses casos, o cirurgião pode esclarecer as implicações de cada escolha para o paciente e tomar uma decisão compartilhada, considerando o que faz mais sentido para ele naquele momento.
3 – Em caso de cirurgia, fazer retirada parcial ou total da tireoide?
Sempre que uma cirurgia de tireoide é indicada, é necessário avaliar a extensão da operação: o problema pode ser resolvido retirando apenas parte da tireoide, ou precisa retirá-la por completo?
Em muitas situações, as duas opções são possíveis. Nesses casos, o cirurgião pode conversar com o paciente sobre os riscos e benefícios de cada uma delas, e tomar uma decisão em conjunto baseada nas preferências do paciente.
Encerramento:
A tomada de decisão compartilhada no contexto da cirurgia de cabeça e pescoço não apenas empodera o paciente, mas também reforça a confiança mútua entre ele e o médico. Com a comunicação clara e a colaboração, o cirurgião pode garantir que o paciente se sinta informado e seguro em cada etapa do cuidado.
Esse modelo de decisão conjunta permite que os tratamentos não apenas sejam mais alinhados às necessidades clínicas, mas também às preferências e prioridades de cada paciente, promovendo uma experiência mais humanizada.


