Exames que mostram cálcio alto no sangue muitas vezes são o primeiro sinal de que algo está acontecendo com um grupo de glândulas minúsculas, mas que têm funções essenciais no corpo: as paratireoides.
O que são as paratireoides?
As glândulas paratireoides são quatro pequenas estruturas do sistema endócrino, localizadas geralmente atrás da tireoide, no pescoço. Apesar da proximidade, elas não têm relação direta com a função da tireoide.
Cada glândula mede cerca de 5 milímetros e pesa menos de 50 miligramas. Mesmo assim, o impacto que exercem no organismo é enorme. Isso porque a sua principal função é regular os níveis de cálcio e fósforo no sangue, substâncias essenciais para o funcionamento muscular, ósseo, cardíaco e neurológico.
Como as paratireoides funcionam?
As paratireoides produzem o PTH (paratormônio), um hormônio que atua junto à calcitonina (produzida pela tireoide) para manter o equilíbrio do cálcio no sangue.
Cerca de 99% do cálcio é armazenado em ossos e dentes, enquanto o outro 1% circula no sangue. E é justamente esse pequeno percentual que garante o funcionamento adequado de nervos, músculos e coração.
Quando o cálcio no sangue está baixo, o PTH é liberado para:
- aumentar a absorção de cálcio no intestino,
- reduzir sua eliminação pelos rins,
- liberar cálcio dos ossos.
Quando o cálcio está alto, o processo se inverte: a produção de PTH diminui para o corpo retomar o equilíbrio.
A vitamina D é fundamental nesse processo, pois facilita a absorção de cálcio e ajuda a manter os níveis estáveis.
Câncer papilífero da tireoide: o tipo mais frequente e com ótimo prognóstico
O carcinoma papilífero é o tipo mais comum de câncer de tireoide, representando cerca de 80% dos diagnósticos.
Suas principais características são:
- Geralmente acomete pessoas entre 30 e 50 anos, com maior prevalência em mulheres;
- Pode surgir em uma ou nas duas partes da glândula;
- Frequentemente é detectado ainda em estágios iniciais;
- O tratamento costuma envolver cirurgia (tireoidectomia parcial – em casos de tumores pequenos e localizados – ou total), e, em alguns casos, iodoterapia;
- As taxas de cura ultrapassam 95% dos casos.
O principal sintoma desse câncer é o aparecimento de nódulos na tireoide (os famosos carocinhos no pescoço perceptíveis ao toque).
A partir do aparecimento do nódulo, o médico solicita um ultrassom e, caso o nódulo apresente características suspeitas, é indicada a PAAF (Punção Aspirativa por Agulha Fina) — exame que permite identificar se o nódulo é benigno ou maligno.
O câncer papilífero costuma crescer lentamente e, mesmo quando se espalha para os linfonodos do pescoço, mantém um comportamento previsível e uma resposta muito boa ao tratamento.
Em alguns casos, por causa do crescimento lento, é possível adotar uma vigilância ativa, com acompanhamento médico e ultrassons periódicos, adiando a necessidade de cirurgia imediata.
Principais doenças das paratireoides
Quando as paratireoides produzem hormônio em excesso ou em quantidade insuficiente, surgem duas condições principais: o hiperparatireoidismo e o hipoparatireoidismo.
Hiperparatireoidismo:
O hiperparatireoidismo acontece quando uma ou mais paratireoides produzem PTH em excesso. Mas é muito importante entender que existem diferentes tipos, cada um com causas e tratamentos distintos — e nem todos são cirúrgicos.
Hiperparatireoidismo primário:
É o tipo mais comum na prática clínica e acontece quando a própria glândula está doente, produzindo PTH além do necessário, mesmo com cálcio já alto no sangue.
As principais causas são:
- Adenoma de paratireoide (um tumor benigno em uma das glândulas – causa mais comum);
- Hiperplasia (crescimento anormal de todas as quatro glândulas);
- Em casos raros, carcinoma de paratireoide.
Esse excesso de PTH leva ao aumento do cálcio no sangue (hipercalcemia), que pode causar:
- Cansaço e fraqueza;
- Pedras nos rins;
- Dores ósseas ou osteoporose;
- Constipação intestinal;
- Depressão e irritabilidade;
- Dificuldades cognitivas e falhas de memória.
Quando há sintomas, cálcio elevado de forma persistente ou complicações, a cirurgia é o tratamento definitivo (paratireoidectomia). Na maioria dos casos, é um procedimento direcionado e minimamente invasivo, com alta taxa de cura e recuperação rápida.
Hiperparatireoidismo secundário:
Aqui, o problema não está na paratireoide em si, mas sim em alguma condição que faz o cálcio cair cronicamente. A glândula, então, tenta compensar produzindo mais PTH.
As causas mais comuns são:
- Deficiência de vitamina D;
- Doença renal crônica;
- Má absorção intestinal de cálcio (por exemplo, doenças inflamatórias ou pós-bypass gástrico).
Nesse caso, o cálcio costuma estar normal ou baixo, e o PTH fica elevado tentando corrigir isso. Sendo assim, o tratamento não é cirúrgico e o foco é corrigir a causa (repor vitamina D, ajustar cálcio, tratar doença renal, etc.).
Hiperparatireoidismo terciário:
Ocorre em pacientes, geralmente com doença renal crônica de longa data, nos quais as paratireoides ficam hiperestimuladas por tanto tempo que passam a funcionar de maneira autônoma, produzindo PTH em excesso mesmo após normalização do cálcio.
Nesses casos, a cirurgia pode ser indicada, retirando parte das glândulas para controlar a produção de PTH.
Hipoparatireoidismo:
Já o hipoparatireoidismo é o oposto: as paratireoides produzem pouco PTH, o que faz o nível de cálcio cair no sangue.
Essa condição pode surgir:
- após cirurgias da tireoide (sendo usualmente temporária, mas, caso tenha havido dano à estrutura da paratireoide, pode se tornar permanente);
- por doenças autoimunes;
- ou, mais raramente, por alterações genéticas.
Os sintomas aparecem quando o cálcio está muito baixo e incluem:
- Formigamento nos lábios e nas mãos;
- Câimbras;
- Espasmos musculares;
- Fadiga intensa;
- Alterações de humor;
- Em casos graves, convulsões.
O tratamento é feito com suplementos de cálcio e vitamina D.
Como é feito o diagnóstico de doenças das paratireoides?
O diagnóstico geralmente começa com um exame de sangue que mostra níveis anormais de cálcio. Depois, o médico solicita dosagem de PTH, fósforo e vitamina D para avaliar o funcionamento das glândulas.
Para casos suspeitos, exames de imagem como ultrassonografia de pescoço e cintilografia de paratireoide ajudam a identificar qual glândula está alterada e a planejar o tratamento cirúrgico, quando necessário.
O tratamento das doenças das paratireoides
Nos casos leves de hiperparatireoidismo, o tratamento pode começar com acompanhamento clínico e controle dos níveis de cálcio e vitamina D. Mas, quando há sintomas ou risco de complicações ósseas e renais, a cirurgia é o tratamento definitivo.
Já o hipoparatireoidismo exige reposição contínua de cálcio e vitamina D, com ajustes individualizados conforme a resposta do organismo.
Por que prestar atenção nas paratireoides é tão importante?
Embora pequenas, as paratireoides têm um papel essencial na saúde óssea, muscular e mental. Alterações discretas podem passar despercebidas por meses — até começar a afetar o cotidiano.
Se o seu exame mostra cálcio alto ou baixo, ou se você sente cansaço persistente e dores inexplicáveis, procure um médico. Detectar e tratar a razão para o seu desconforto pode evitar complicações e melhorar sua qualidade de vida.
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